1.30.2007

Hanna-Barbera e o PT

Acho que é a primeira vez em 4 anos de mandato do Lula que o Diogo Mainardi usa sua coluna na Veja para não tascar o pau no governo. Desta vez o alvo são meus ídolos, mestres e símbolos sexuais Hanna e Barbera. Não concordo com quase nada no texto. Sou capaz de rebater com consistência cada acusação. Mas ainda sim acho legal. Serve pra refletir. Sem contar que dar ouvidos a um cara que todo mundo odeia fortalece o carater.

"Os cães de gravata"
Por Diogo Mainardi

Cada um escolhe seu próprio inimigo. O meu morreu no mês passado, aos 95 anos. Era Joseph Barbera, um dos fundadores dos estúdios Hanna-Barbera. No começo de janeiro, morreu também um de seus principais colaboradores, Iwao Takamoto, criador do Scooby-Doo. Estou com sorte. Livrei-me de dois inimigos em menos de um mês.

Atribuo grande parte do meu fracasso pessoal aos desenhos animados de Hanna-Barbera. O fato de ter assistido a todos os episódios dos Herculóides, da Tartaruga Touché e dos Flintstones comprometeu meu futuro. O dano causado por horas e horas de Space Ghost, de Wally Gator e de Jonny Quest foi definitivo. Muitas de minhas falhas intelectuais e de personalidade podem ser imputadas a eles. De nada adiantou ler Montaigne mais tarde. No deserto mental provocado por Frankenstein Júnior, pelos Irmãos Rocha e pela Formiga Atômica, Montaigne simplesmente não frutifica.

Até a década de 1960, um episódio de Tom e Jerry ou de Pernalonga era feito com algo entre 25.000 e 40.000 desenhos. Joseph Barbera e seu sócio bolaram um jeito de produzir suas séries com menos de 2.000, abatendo seus custos. A técnica recebeu o nome de "animação limitada". Os personagens permaneciam estáticos. A única parte de seu corpo que se movia era a cabeça, que pulava compulsivamente da direita para a esquerda, ora com a boca fechada, ora com a boca aberta. Para facilitar o corte, todas as figuras tinham o pescoço encoberto por um colarinho ou por uma gravata. Nos desenhos da Hanna-Barbera, sempre há um cachorro de gravata, um super-herói de gravata, um dinossauro de gravata.

As paisagens sofreram o mesmo tratamento reducionista. Os personagens dos desenhos de Hanna-Barbera habitam um mundo claustrofobicamente circular. De dois em dois segundos eles passam pela mesma pedra, pelo mesmo veículo espacial, pelo mesmo homenzinho careca e bigodudo de terno azul. A angústia de pertencer a um universo que se repete continuamente só é superada pelo fato de que ninguém se dá conta disso. Maguila, Simbad Júnior e os Brasinhas do Espaço parecem desprovidos de memória. As tramas também se repetem de uma série para a outra. Muda apenas o mote de cada personagem, a sua frase característica, como "Saída pela esquerda", "Shazam!" ou "Oh, querida Clementina", recitada por um mau dublador.

Joseph Barbera e Iwao Takamoto empobreceram minha vida. Assim como empobreceram a vida de todos os meus contemporâneos. Há fases em que a humanidade melhora e há fases em que ela piora. Nada representa com tanta clareza o barateamento intelectual do nosso tempo quanto os desenhos animados de Hanna-Barbera. Cada quadro economizado por eles significou para nós uma idéia a menos, um pensamento a menos, uma sinapse a menos. Os pioneiros de Hanna-Barbera acabam de morrer, mas nossa época está irremediavelmente perdida. O único consolo é que esquecemos a miséria em que vivemos de dois em dois segundos.

12 comentários:

Anselmo disse...

Mto fácil creditar nossa probreza mental à criadores de desenhos animados de um outro país.

Hanna e Barbera, por mais "simplistas" que fossem, deixaram um marco (não é vc, Pavão) na história da animação mundial.

Já o tal do Diego, Diogo, sei lá, tenta chamar a atenção cutucando petistas em uma revista semanal.

dani disse...

Esse Diogo é um idiota.

Ana Paula Bertoni disse...

Bem... isto é apenas mais um texto de assunto específico tratado por um leigo. Um desinformado e arrogante leigo em animação.

Diogo Mainardi pode ler Montaigne, Engels, Nietzsche, Rosseau, pode ler o que quiser que de nada adiantará pois um frustrado inato como ele que atribui fracassos pessoais aos (bons) desenhos que assistiu na infância, realmente, nada mais é do que um coitado.

O cara escreveu isso só pra chamar a atenção. Devia estar carente neste dia.

Mas, enfim, como já disse sabiamente Bill Bernbach: "a vida é curta demais pra perdermos tempo com filhos da puta".
Ignorem...rs

Pavon, parabéns e continue alimentando o blog, hein?!
bjs

Bruno disse...

O cara não sabe o que está falando, ele está relacionando os seus fracassos na vida com o fato dos coqueiros do flintstones ficarem passando váias vezes nos cenários? Ele virou um fracasso por causa dos seus pais que nunca o incentivaram, que deram uma pésssima educação!

Fez muito bem Marco Pavão! Quando vc encontrar mais barbaridades como essa avise agente!

Sapha disse...

Não gosto da Veja, não gosto do palhaço Mainardi mas adorei o parágrafo abaixo, valeu todo o texto.

"Nos desenhos da Hanna-Barbera, sempre há um cachorro de gravata, um super-herói de gravata, um dinossauro de gravata."

Lelê disse...

Você tem blog!!!!!!!!!!!1

horus disse...

Pois é Montalvo,
acredito que com estas mesmas frases poderíamos mostrar para o Pavão que para o Zico Góes ele é apenas esse “qualquer moleque” . Ninguém gosta de ser ridicularizado, acredito que nem mesmo o Pavão. De repente com essa verdade escancarada em sua frente ele pode amadurecer e repensar suas responsabilidades como profissional.
 
Ou talvez ele já leu a entrevista e não deu bola. Aí seria o caso de uma bela dose de argumentação, principalmente com as contas que vc fez, os tais 6 centavos.
 
De uma maneira ou de outra, vale mais uma palavra que mostre o caminho que muitas jogando pedras.
 
É nosso dever fazer este contato.
 
K
-----Mensagem original-----
De: ilustrasite@yahoogrupos.com.br [mailto:ilustrasite@yahoogrupos.com.br] Em nome de Montalvo Machado
Enviada em: sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007 21:40
Para: ilustrasite@yahoogrupos.com.br
Assunto: [ilustrasite] Qualquer moleque faz...
 
Moçada,

Quanto mais a gente pensa e amadurece as idéias, mais as coisas fazem sentido.

Esta frase do Zico Góes, diretor de programação da MTV tem um tom de ameaça inacreditável:

"Desafio qualquer produtora a nos dar um orçamento mais barato”

Para ele, é como se todos os orçamentos do mundo passassem a ser medidos em comparação ao preço do Pavão. Não é mais a qualidade, o conteúdo ou a técnica que contam, é o preço do Pavão que está tatuado na mente dele, um valor que nenhum chinês faminto na cadeia consegue praticar, mas que passou a ser a régua do cara.

Não se leva mais em conta se a produtora tem uma estrutura empresarial, espaço físico, equipamentos, depreciação, softwares legalizados, funcionários, impostos, margem de lucro, retorno do investimento, nada. Tudo vai ser comparado de uma forma ou de outra o orçamento final com o preço do Pavão, e ele vai alastrar esta política suja de preços por onde estiver, em cada job, em cada conversa de boteco, no próximo emprego, e nos outros também.

Ele virou um homem-bomba no mercado.

É tão ridículo que chega a ser assustador, o Pavão deu tamanho poder de fogo na mão do cliente, que o cara se acha no direito de disparar bravatas, e aposto o meu pescoço como já está usando e usará pelo resto da vida os preços do Pavão como argumento para barganhar tudo e todos que passarem pela sua mesa. É um precedente muito perigoso, e terá efeitos devastadores em muito pouco tempo.
É dele também a frase:
Não é tão caro. Hoje, com a tecnologia, qualquer moleque faz em casa o que se pensava que só os grandes estúdios podem fazer”.

É surreal. Ele acha que é a tecnologia, e não uma pessoa com qualidades muito especiais, que faz as coisas acontecerem.
"Qualquer moleque faz". Dá pra acreditar? O Pavão é um fenômeno raríssimo e o cara reduz o sujeito ao nível de "qualquer moleque" em uma entrevista na web.
Eu teria pesadelos horríveis pelo resto da vida se um cliente me chamasse assim publicamente.
Mas o Pavão não parece se importar em ser qualificado pelo seu melhor cliente de "qualquer moleque", referindo-se ao Pavão e a todos os mexedores de computador fossem uns nadas, que aparecem aos montes, chutando latas de lixo. 

Qualquer moleque faz...
Mas ele próprio não faz, né?
Por quê será?
Abraços,
Montalvo, o velho.

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Antonio Santos disse...

HUahuahuahua... esse texto do Mainardi é divertido cara! Não sei como o pessoal o teme e o leva a sério a ponto de não ver o sarcasmo neste texto. Ele se acussa de fracassado, se tranformou em um anti-herói, num personagem patético pra ficar livre pra exagerar nos argumentos que ficam no limite entre a reflexão original e a pura ironia, o puro nonsense. Na real: desenho animado de TV é passa tempo e não Arte! è bom e divertido mas se alguem tem como objetivo se tornar filósofo, perde tempo vendo desenho. Isso é verdade. Mas da maneira q ele colocou é escandaloso, revoltante, patético! Esse sabe escrever e se manter no centro das atenções! E o pior é q a maioria que lê nem entende.

Jussara disse...

Ricardo San,
Ontem eu li o artigo do Mainardi e surpreendi-me: efetivamente ser culto não traduz ser sábio. Definitivamente o Diogo é culto. Sábio, ele nunca será.
Sobra-lhe arrogância. “Cada um escolhe seu próprio inimigo. O meu morreu no mês passado, aos 95 anos. Era Joseph Barbera, um dos fundadores dos estúdios Hanna-Barbera.”. Nossa! Que tintas fortes e não são circunstânciais. A maioria dos artigos dele têm acentos contudentes gratuitos e fúteis. Eleger o Barbera como inimigo é demais, ainda depois que ele desfia o motivos Barbaridade! Ter barateado o custo da produção dos filmes é a única razão!

E daí? Continuei a leitura pois a cultura armazenada por este colunista deveria propiciar a análise dos enredos dos desenhos, o qual é o principal para o público que assitia - custos de produção, ou de qualquer outra coisa não é parâmetro infantil ou mesmo pelos pais dos infantos (caso haja controle familiar). E minha surpresa… nada escrito. As relações trabalistas, familiares, feministas dos Flintstones. A abordagem de trabalho em equipe e valores de companheirismo de Herculóides, Brasinhas, Shazam (para citar aos que eu assitia). A visão de invasão tecnológica na vida cotidiana dos The Jetsons, antecipando em 40 anos o mundo atual. Ou seja: basear a inimizade e ódio mortal devido a movimento de bonecos é o ápice da visão estreita!

Mais a frente Diego Mainardi justifica a visão estreita: “Muitas de minhas falhas intelectuais e de personalidade podem ser imputadas a eles. De nada adiantou ler Montaigne mais tarde. No deserto mental provocado por Frankenstein Júnior, pelos Irmãos Rocha e pela Formiga Atômica, Montaigne simplesmente não frutifica.”. Está aí! A rede neural do indivíduo é um kitnet de neurônios. E o pior: não se renova e nem reaprende caminhos como em todos os seres vivos providos de tal rede.

A obra depende da platéia. Para platéia surda, do que adianta efeitos sonoros? Para cegos, efeitos visuais são desnecessários. Produções de baixo custo nunca foram motivos para desmerecimento de trabalhos artísticos. Para dizer que uma obra não tem valor, outros parâmetros são considerados. Ainda bem! Parabéns a Hanna-Barbera pela obra!

Outro aspecto: uma obra é avaliada dentro do contexto de seu tempo. Razões de barateamento normalmente estão ligadas a crise mercadológica.

Anônimo disse...

bem mala essa Jussara.

Anônimo disse...

NÃO!!! ELA DEVE SER GOSTOSA!!! E VOCÊ DEVE SER ANALFABETO E GAY!!!

Anônimo disse...

Putz, a imbecilidade desse país me dá vontade de chorar. Além do panaca médio não saber escrever, também não sabe nem ler, e analisa seriamente um texto sarcástico.

Façam um favor a todos, não leiam textos acima da capacidade mental de vocês.